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Mais de 2/3 dos óculos vendidos são piratas

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(Imagem ilustrativa; da Internet)

A pirataria de óculos é comum nas ruas das grandes Capitais do Brasil, o comércio além de ilegal, oferece riscos que atingem diretamente a qualidade da visão. De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Material Óptico, Joias, Relógios, Cine-Foto e Bijuterias de Goiás (Sindióptica), 72% dos óculos de sol comercializados, em Goiânia, são vendidos em estabelecimentos ilegais. 

Na Capital, basta uma pequena volta pelas ruas dos setores Central e Campinas para identificar a venda pirata. Na Avenida 24 de Outubro, em apenas duas quadras foram encontrados pela reportagem dois rapazes que vendiam o produto. Já no Camelódromo de Campinas, a situação se repete em uma das lojas, a funcionaria se recusa a permitir que a reportagem fotografe alguns óculos. “São replicas, se tirar fotos é perigoso às óticas acharem ruim”, afirmou a mulher. 

Em outra loja, o corretor Gustavo Fagundes escolhe o modelo mais atrativo. “Fora de lojas conhecidas só compro aqui. Costumo dar preferência para a primeira linha”, diz Fagundes. “Noto a diferença na qualidade da lente”, complementa. A vendedora do estabelecimento, confirma e diz que a diferença do produto pode chegar a mais de 25% no valor. Para o presidente do Sindióptica e optometrista, Leandro Fleury Rosa, aproximadamente “50% das armações e lentes [vendidas na cidade] são piratas”. O dado inclui lentes de contato. 

Perigo 

Para o médico aftalmologista e presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), Leonardo Mariano Reis, o uso de lentes de origem duvidosa e sem qualidade oferece graves danos aos olhos e até cegueira. Entre os exemplos citados pelo especialista, os riscos podem variar desde a aparição de pterígio – formação carnosa que avança sobre a córnea – até o surgimento de cataratas. 

Os efeitos da prática do uso inadequado também é afetado pela luz solar por meio dos raios ultravioletas. Além disso, o uso inadequado colabora para a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), causadora de uma mancha que pode tornar em cegueira. “Ao portar lentes de origem duvidosa e sem qualidade, o paciente pode trazer danos aos olhos, como aumento de radiação”, explica o médico. Leonardo Reis também sugere que o material da lente deve ser considerado para o uso de criança e esportistas, pelos riscos que oferecem. “Policarbonato e trivex são mais seguros, em caso de quebra, do que lentes de cristal”, exemplifica. 

 

Além das doenças, o risco de câncer 

Além das doenças que podem ser causadas pelo uso dos óculos piratas, o risco pode ser agravado com composições cancerígenas, como o níquel. “Em algumas bancas e camelódromos já foram encontradas armações e óculos de metal provenientes de material reciclado de baterias de celulares, o que é proibido por lei”, exemplifica o optometrista e presidente do Sindióptica. O presidente do Cremego e oftalmologista reforça a necessidade de analisar a procedência na hora da compra. “Os óculos devem ser adquiridos, em local adequado, com procedência conhecida. O médico oftalmologista pode ajudar na medição do grau e conferência das lentes”, sugere Leonardo Reis.

O uso de materiais de “baixa qualidade” também é responsável por queimar a pele do consumidor e até deformar o rosto do usuário. De acordo com Leandro Rosa, a queimadura pode acontecer em temperatura de 40ºC. “Os óculos podem se deformar, pois os materiais não atendem a critérios legais e técnicos”. Os critérios de conformidade são estabelecidos pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC) que exige que os produtos sejam certificados conforme as normas do INMETRO e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

O Sindióptica alerta que a revenda de armações e óculos, assim como as lentes de contato deve ser supervisionada por um Responsável Técnico (RT). “Nem todo comerciante pode revender óculos”, explica Leandro Rosa. O Sindicato reforça que é essencial que o consumidor exija a nota fiscal, a oferta de garantia e a autenticidade dos produtos. “Dessa forma, os estabelecimentos ilegais e que descumprem as normas podem ser fiscalizados e punidos pelas autoridades competentes”, sugere Rosa.  

Fonte: O Hoje

 

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